A mais recente tensão no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu o seu ápice nesta terça-feira (1º de setembro de 2026), com o desdobramento das investigações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujos negócios à frente do liquidado Banco Master são alvo da Polícia Federal. O estopim da nova crise institucional foi a revelação de diálogos mantidos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, fatos que geraram um confronto aberto e público entre Moraes e o ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF.

O ministro André Mendonça, na condição de relator do inquérito que apura as atividades do Banco Master, determinou que a Polícia Federal identificasse o destinatário de mensagens suspeitas enviadas por Daniel Vorcaro.
Nesta terça-feira, Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF e encaminhou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A decisão de Mendonça de dar prosseguimento aos "trâmites regulares" culminou em um intenso e exaltado "bate-boca" entre os dois ministros nas dependências do STF. Enquanto Mendonça defendeu a transparência e a legalidade de sua atuação como relator diante dos indícios levantados pela PF, Moraes (cujo posicionamento oficial ainda não foi divulgado na íntegra) questionou os desdobramentos da investigação.
Os diálogos interceptados pela Polícia Federal, que agora são públicos, demonstram uma suposta proximidade entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes e sugerem que o ex-banqueiro teria acesso a informações privilegiadas.
Busca de Proteção Institucional: Vorcaro enviou uma mensagem pedindo proteção, citando nominalmente "Andrei" e "Paulo" — segundo a PF, referências claras a Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (Procurador-Geral da República).
Informações Prévias sobre Prisão e Liquidação: Mensagens sugerem que Vorcaro tinha conhecimento prévio da operação que levaria à sua prisão e à liquidação do Banco Master.
Elogios e Reuniões: O conteúdo das mensagens traz ainda um tom de admiração, com Vorcaro afirmando que "todo sacrifício pessoal valerá a pena" e que "o legado [de Moraes] pro Brasil será eterno".
Contexto adicional: A investigação também revelou que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, manteve um contrato com o Banco Master.
De acordo com os relatórios, ela teria recebido mais de R$ 80 milhões ao longo de 22 meses por serviços prestados à instituição financeira.
Diante da gravidade das alegações e do envolvimento de um integrante da Suprema Corte, o ministro André Mendonça já solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin (ou a quem de direito na composição da pauta), que o caso seja debatido no plenário. Mendonça defende que a decisão sobre a abertura, ou não, de uma investigação oficial contra Moraes deve ocorrer de “forma pública e transparente”.
O STF aguarda agora o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). Caberá ao procurador Paulo Gonet determinar se há elementos suficientes para pedir a investigação, e aos demais ministros do STF analisar eventuais pedidos, seja pela continuidade do processo ou pelo arquivamento por "atipicidade de conduta".