O governo do Irã oficializou, neste domingo (1º), a criação de um Conselho de Liderança interino para assumir os poderes do país após a confirmação da morte do Líder Supremo, Ali Khamenei. O Aiatolá Alireza Arafi foi designado para liderar o órgão temporariamente até que a Assembleia dos Peritos eleja um sucessor permanente para o cargo que Khamenei ocupou por 37 anos.
A confirmação do óbito, ocorrida após bombardeios coordenados pelos Estados Unidos e Israel no sábado (28), lançou o Oriente Médio em um estado de alerta global.
Em um pronunciamento emocionado e firme, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o assassinato de Khamenei é uma "declaração de guerra contra todos os muçulmanos". Pezeshkian prometeu uma "vingança legítima" contra Washington e Tel Aviv, enquanto a mídia estatal reportava que outras figuras de alto escalão, incluindo o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad e chefes da Guarda Revolucionária, também teriam morrido nos ataques.
Enquanto o Irã chora — com 40 dias de luto oficial decretados — o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, celebraram a operação. Trump afirmou que Khamenei era "uma das pessoas mais malignas da história" e incentivou a população iraniana a "retomar o próprio país".
No entanto, em um movimento inesperado na tarde de domingo, Trump sinalizou que a nova liderança iraniana já estaria disposta a retomar negociações, declarando que "concordou em conversar" para evitar uma escalada ainda maior.
A capital iraniana permanece sob forte vigilância militar. Vídeos da TV estatal mostram apresentadores em lágrimas ao anunciar a morte, enquanto em algumas regiões do país há relatos de celebrações discretas por parte de opositores ao regime teocrático. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora a situação e que, até o momento, não há danos radiológicos nas instalações nucleares do país.